
O Sabor do Saber #3 – e-Noé: a universidade pública a favor da população
12/02/2020por Antônio Soares*
São Carlos é uma das inúmeras cidades brasileiras entrecortadas por rios e que passam por frequentes inundações. Resolver esse problema envolve uma reformulação urbana, com restruturação de canais e sistemas de drenagens, bem como remanejamento de áreas impróprias para ocupação. Enquanto isso não acontece, a população sofre com sua qualidade de vida rebaixada e perdas materiais, correndo até risco de vida em situações mais extremas.
É no sentido de minimizar os danos decorrentes das cheias que a Defesa Civil atua, contando com monitoramento de rios e regimes de chuvas. E uma nova ferramenta capaz de auxiliar essa tarefa foi criada por uma equipe de pesquisados da Universidade de São Paulo (USP), aqui do campus de São Carlos: o e-Noé. O aparato prevê variações do nível do rio e avisa em caso de risco de inundações, possibilitando ações planejadas de contenção de prejuízos.
O grupo responsável pelo projeto conta com professores, Jó Ueyama (coordenador) e Alexandre Delbem, alunos de mestrado, Thiago da Costa e Lucas Brito, e de doutorado, Sidgley de Andrade, do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC), além da colaboração de João de Albuquerque, da University of Warwick da Inglaterra. O sistema desenvolvido por eles consiste em um conjunto de sensores de pressão, que ficam instalados no leito do rio, câmeras, que registram o nível das águas, placas de comunicação sem fio, que transmitem os dados coletados, e uma estação-base, que recebe e processa os dados em tempo real e pode enviar alertas para a Defesa Civil e a população. A tecnologia de inteligência artificial também é utilizada para o aperfeiçoamento das previsões a partir de informações coletadas em redes sociais.
O Centro de Ciências Matemáticas Aplicadas à Industria (CeMEAI), vinculado ao ICMC, produziu uma reportagem com entrevistas com alguns dos envolvidos no projeto:
O e-Noé já passou por testes nos córregos Monjolinho e Tijuco Preto e se encontra disponível para o uso, basta agora que órgãos governamentais busquem a sua implementação. Essa é uma das muitas possibilidades de retorno social que as universidades podem gerar à sociedade que a mantém de pé. É preciso que projetos como esse sejam divulgados e que outros sejam incentivados para que a universidade seja percebida como parte da comunidade, o que ela deve de fato ser.
*graduado em Física pela USP São Carlos